Psicomotricidade

Comunicar-Agir implica, para além da capacidade de falar, a capacidade de atuar, de fazer, destacando a necessidade da organização de movimentos intencionais e conscientes mais simples, de nível corporal, como plataforma da organização de movimentos intencionais e conscientes mais complexos, de nível verbal.

A Psicomotricidade é uma prática de mediação corporal, que permite que a criança estabeleça uma relação mais precisa com o seu corpo, os outros, os objetos, o tempo e o espaço. É uma prática unificadora, no sentido que veicula os laços entre o corpo e a atividade mental, o real e o imaginário, o espaço e o tempo, melhorando a adaptação da criança e a possibilidade de realizar trocas com o envolvimento.

Assim, na Psicomotricidade o importante não é o movimento do corpo como o de qualquer outro objeto, mas a ação corporal em si, a unidade bio-psico-motora em ação.

Elementos básicos da Psicomotricidade:

  • A integração do esquema corporal que permite à criança ter um conhecimento do seu próprio corpo e da relação das partes entre si e com o mundo exterior.
  • A definição da lateralidade que expressa a predominância da habilidade, da iniciativa e das capacidades funcionais e psicomotoras de um dos lados do corpo, correspondendo à assimetria dos hemisférios cerebrais.
  • A estruturação espacial e temporal que permitem à criança a tomada de consciência da orientação do seu corpo em relação às pessoas e às coisas e da contextualização das atividades em função de uma sucessão de acontecimentos, com durações e renovações variáveis.

Estes são pré-requisitos essenciais para que a aprendizagem escolar aconteça de uma forma fluente e regular.

Que Problemáticas?

A Psicomotricidade é indicada para todos os que podem evoluir melhor através do agir, da experimentação e do investimento corporal, em casos onde é necessário reencontrar a possibilidade de comunicar e de organizar o pensamento, privilegiando a experiência concreta ligada à interiorização da vivência corporal. 

Esses casos podem ter incidências a diversos níveis:

  • Com incidência corporal: instabilidade postural, descoordenação motora, perturbações do esquema corporal e da lateralidade, estruturação espacial e temporal;
  • Com incidência relacional: dificuldades de comunicação e de contacto, inibição, instabilidade, agressividade, dificuldades de concentração;
  • Com incidência cognitiva: défices de atenção, de memória, organização precetiva, simbólica e conceptual.

Esta prática deverá ser iniciada o mais cedo possível para que as crianças que apresentem dificuldades psicomotoras, as consigam resolver para evitar desigualdade diante do seu grupo ou de crianças da mesma idade, e evitar ansiedade, tensão, insegurança e, consequentemente, problemas emocionais que interferirão nas suas atividades intelectuais e na sua adaptação sócio afetiva.